"Quem és tu que me lês? Sou eu o teu segredo ou és tu o meu?" (Clarice Lispector)

29 maio, 2009

Poema Começado no Fim

"Moça feita, li Drummond a primeira vez em prosa. Muitos anos mais tarde, Guimarães Rosa, Clarisse. Esta é a minha turma, pensei. Gostam do que eu gosto. Minha felicidade foi imensa.Continuava a escrever, mas enfadara-me do meu próprio tom, haurido de fontes que não a minha. Até que um dia, propriamente após a morte do meu pai, começo a escrever torrencialmente e percebo uma fala minha, diversa da dos autores que amava. É isto, é a minha fala."
Adélia Prado





Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

28 maio, 2009

Macacos e bananas



MACACOS E BANANAS


Lá no sítio da cabana
da lavoura de banana
só sobrava a plantação.
Mas foi feita a barricada
e a base preparada
para prender o ladrão.

O dono da bananeira
preparou a cartucheira
e ficou lá de plantão.
Não viu o que aconteceu
o bicho todo comeu
não ficou nem o botão.

Um barulho na cascata
mexeu os galhos na mata
ele preparou a munição.
Pisaram na sua garganta
roubaram a sua janta
e fugiram na escuridão.

Aí,o homem ficou surpreso
quando o farol foi aceso
que estava no caminhão.
Ficaram todos envoroçado
era bicho pra todo lado
tinha macaco de montão.

Encurralaram a macacada
e foram descendo a bordoada
sem ter dó,nem compaixão.
Quando o pau aterrissava
era so macaco que pulava
em tudo quanto era direção.

E durante quase uma semana
não sumiu nenhuma banana
não esqueceram o clarão.
Mas soube que no outro dia
sumiu ,uma carga de melancia
la no sítio do Simão.

GIL DE OLIVE

27 maio, 2009

Traduzir-se



Ferreira Gullar, um do poeta inovador e engajado que ainda vive como um homem mortal. Sua obra é complexamente simples e real como o cotidiano de cada um de nós.




Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?


Ferreira Gullar

24 maio, 2009

by Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa

23 maio, 2009

Poeminha de Cecília


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

20 maio, 2009

Passarinho



POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana



19 maio, 2009

Amor irreverente !

(Foto de Ana Oliveira)

As Leis de Murphy no Amor. . .


1. Todos os bons partidos já foram capturados.

2. Se uma pessoa ainda não foi capturada, é porque deve ter um bom motivo. (Corolário da Lei 1).

3. Quanto mais você gosta de alguém, mais esta pessoa está longe de você.

4. Inteligência X Beleza X Disponibilidade = Constante

5. A quantidade de amor que você tem por alguém é inversamente proporcional à que ele tem por você.

6. O dinheiro não pode comprar o amor, mas que dá uma boa vantagem, isso dá.

7. Se algo parece belo demais para ser verdade, é porque é mesmo.

8. A disponibilidade é uma questão de tempo. No momento em que você se interessa por ele(a), é a hora exata em que ele(a) encontra outra pessoa.

9. A probabilidade de você encontrar um garoto bonito, inteligente e cheio de charme aumenta em proporção se:

- Você está com seu namorado.

- Você está com seu marido.

- Você está com uma amiga mais bonita e mais rica que você.

10. Quanto mais bonito o homem, mais rápido ele parece se afastar.

18 maio, 2009

Céu na boca


É sempre bom olhar as estrelas para se ter a real clareza da dimensão humana.


Existe uma distância infinita entre o céu e a boca, entre o paraíso que desejamos e a realidade que a vida nos oferece. Desejos e frustações. Conquistas e desencantos. A vida é assim mesmo. Então vamos tirar o melhor proveito disso.
(Céu na boca - Espetáculo Quasar 2009).


Esplêndido e memorável!

Aforismo


Abrace os que estão ao teu alcance hoje; busque em teu interior a resposta para acalmar-te, tu és o reflexo do que pensas diariamente.

Aristóteles, 360 a.C

17 maio, 2009

Cuide do seu Mundo!



Ecojóia: consumo sensato.

Por uma semana mais consciente!

Novidade !

Hoje resolvi acatar a sugestão de um amigo e mudar o nome deste blog para "Sementes de poesia". Como já explicado em post anterior, Sementes de poesia é um projeto que pretendo ampliar e divulgar o máximo que puder. Portando, a partir de hoje, palavras em movimentos terá o novo nome. Deixo aqui, para os leitores do blog, o antigo título como post deste domingo.








Palavras em movimentos

Uma palavra traz muitos movimentos em si, mesmo quando estática.
Ela é capaz de transferir idéias, sentimentos e também silêncios.
Este espaço pretende reunir poesias, reflexões e pensamentos,
utilizando-se da palavras para movimentar suas idéias, emoções e
conceitos.

15 maio, 2009

Poesias do mundo - Brasil



Termino aqui a série de Poesias do mundo. Para fechar com chave de ouro, não poderia escolher outro país senão o Brasil. Terra de povo feliz, mesmo diante de uma frívola sociedade de antagonismos sociais. Amo essa nação!



Ó Brasil


As areias do teu mar são mais lindas

em tons de amarelo

quente como o abraço

Suas ondas com tons de azul

trazem a brisa que acarecia minha face

Ó Brasil amado, idolatrado

Traz sua bandeira desenhada

nos rios, nas canções e em nossos corações.


Leise Plath

13 maio, 2009

Poesias do mundo - Japão


Ofereço a postagem de hoje ao meu amigo, "o Secreto" - rsss!, que ontem me fez viver uma emoção ímpar com o presente de um bonsai.





Na cultura japonesa, há duas coisas que chamam minha atenção de modo peculiar. São elas a comida, que adoro, e a ornamentação natural, o bonsai principalmente. Um dia desses, em um programa de culinária da GNT, aprendi que a disposição do alimento no prato japonês obedece a uma simbologia que represeta o mar e suas ondas. É como se fosse um agradecimento à origem daquilo que se come. Fantástico esse conceito! Já o Bonsai (a palavra diz: planta cultivada na bandeja), embora de origem chinesa, foi propagado ao mundo através do japoneses. Eles aperfeiçoaram a técnica, que requer cuidados específicos. Ter um bonsai em casa, segundo os orientais, representa ter a natureza por perto. Adquira um bonsai e cuide dele! Experimente também as delícias culinárias dessa cultura conceitual.



O BONSAI


Um bonsai com folhas de ramos
do tamanho de prolongados suspiros
e um tronco quase invisível
deixa uma sombra verde de silêncio
nos olhos da minha amada,
ao pousá-lo, solenemente, sobre a mesa.
Era um gesto de amor, disse ela. Uma surpresa.

Pensei logo em escrever-lhe um haicai
com a nitidez da água de um rio puro
ou em correr para abraçá-la
vestindo-a de beijos azuis.

Era noite, com os seus mistérios. Peguei-lhe
devagarinho nas mãos, escutei a chuva,
lembrei-me ser Janeiro, a nascer no mundo,
e das árvores gigantes no jardim, sob um céu
negro, como uma velha latada de uva.

Então, olhei, demoradamente, dentro de mim
e não lhe consegui, titubeante, dizer nada.
Ela juntou-se-me ao corpo desvanecido
e, com os lábios tremendo, agradeceu.


José António Gonçalves



12 maio, 2009

Poesias do mundo - Paris


Tenho um grande sonho: comprar uma bicicleta para passear em Paris. Acho a Cidade Luz fascinante. Conheço-a apenas por fotos de amigos, matérias de revistas ou documentários. Ah, por filmes também. Mas ainda a conhecerei pessoalmente. O contexto histórico que a entitula de "Cidade Luz" é muito interessante. O poema abaixo fala um pouco dos ares parisiences. Espero que gostem! Boa terça-feira!






Paris – Parte II

Paris... Pudera haver milhares delas,
Mas, nenhuma vida inteira pode revelar todos os seus becos, amores, e odores.
Os dias ensolarados e camuflados acompanham as chuvas românticas,
Que somente embelezam o charme e afugentam qualquer insignificância.

Os monumentos eternizados simbolizam a luxúria e o orgulho eterno.
A complexidade é simplificada e traduzida em revoluções.
Dos que lutam pelo seus ideais,
Espelha-se em trajetórias pelos cantos imortalizados [tudo é real!]

Como é ir ao ponto de origem dos ícones franceses sem pensar no fim deles?
Tudo é esbelto, grandioso, harmonioso aos olhos que buscam o que é autêntico enxergar.
Em tudo existe o que nos constrói e nos suporta,
Criando a insaciável vontade de voltar atrás mais um pouco e a desvendar.

Em cada canto, um som que não se escuta mas que se sente.
É demasiado o calor da ostentação espiritual que o ronda.
Enquanto o moralismo domina o indomável sensualismo,
A moda é mesclada com o elegante feminismo.

Carl André Dahre

11 maio, 2009

Poesias do mundo - África

Inicio aqui uma série de poesias entituladas "Poesias do mundo". O primeiro lugar a ser escolhido foi a África que é incrivelmente atraente. Sua cultura, a história de luta de seu povo, o Egito. Quando era criança, sonhava em participar da equipe de médicos da cruz vermelha só para cuidar das pessoas africanas. Hoje, que já cresci, não sou médica e tão pouco conheço a nação negra. Contudo, permaneço seduzida por aquele país que é lindo, mesmo diante de muito sofrimento!
Uma ótima semana a todos!




África

Sou Negro
Sou Banto
Sou Sudanês
Sou gente
Sou pessoa
Minha Pátria: O mundo
Minha terra: Áfricas.
Tenho identidade
Tenho nome
Nasci do ventre
Nasci gente
Sou Negro
Negro Africanidades.
Negro por natureza.
Sou Negro
Tenho cultura.
Tenho história
Sou negro
Sou pessoa como você.
Sou negro
Voce!!!!
Negro eu sou.
Você eu não sei.
Honro a minha cor
A minha raça.
Negro de verdade
de lutas.
de histórias
Não sou negro de escravidão
Sou Negro de raça
de vida
Negro de história.
Negro que colonizou o mundo.
NEGRO COM MUITA HONRA.
Negro das Minhas Áfricas.

Genivaldo Pereira dos Santos

10 maio, 2009

Amor subescrito I


Ensinamento


Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Adelia Prado

Amor subescrito II


CARTAS




Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelhecí: olha em relevo
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que a sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.



Carlos Drummont de Andrade

09 maio, 2009

Poesia e vinho, dois prazeres





O vinho



O vinho me liberta, me possui, me domina
Libera o êxtase de outrora, o desejo do porvir
Sinto que quero, mas não posso, minha sina

Venha, companhia noturna, aproxima-se o finir
O licor magnífico, escuro, mais que vermelho crina
Transpassa ferindo de prazer ao ingerir
O gozo gélido escaldante cheiro à marina

Cabeça ao leu, a boca confessando ao sorrir
O álcool fantástico possuidor de loucuras

As minhas, sobretudo, as que me pertencem

O ser estrangeiro que me habita as sombras puras

Eis o ápice de mim próprio,
almas que sentem
Mais vinho! Não há, não há mais curas

Um brinde à vida, o último gole, o Éden!



Marco Hruschka


08 maio, 2009

By Nelson Rodrigues




Na "mulher interessante", a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando:
- "Ser bonita não interessa. Seja interessante!"


Nelson Rodrigues

07 maio, 2009

Catadores de lixo


Nada mais descritivo de uma pessoa que o seu lixo. Ele revela quase tudo. E quem o recebe todos os dias, recebe o relato diário de quem o deixou.




Catadores de lixo




Apesar da miséria da matéria
Que os consome com sede e fome
Persiste a dignidade pulsante
De lutar pela vida com honestidade
Na riqueza do lixo, impropriedade,
Transformar sua verdade,
Em alimento d'existência,
Em caminho e rumo,
Em arte e beleza...
Em sobrevida possível, única certeza...
Em desafio lúico pra se manter a decência,
Em guerrear constantemente
Que os leve avante...
D'um altar e precipício
D'onde vem o sustento, a esperança...
N'outras a morte ou o perigo...
Fazem pra si e por todos como cidadão
Que não esperam pelo governo hoje tão ausente
Que se promove na dor e abandono das gentes.



Mônicia Christi






O bicho








O bicho


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus,
era um homem.

Manuel Bandeira




06 maio, 2009

Poeminhas de Mari



Amor embriagado


Álcool,
destila fraquezas,
fermenta desejos,
envelhece em segredo.

Álcool,
nos faz refém de delírios,
inspira amor ao covarde,
e ao valente, o domínio.

Álcool,
esse maravilhoso álcool,
que lembra a libido,
o vício e
dá motivos para ir além.
Mais álcool!

Álcool,
que a uma altura deixa a pele macia,
convidativa,
e faz o corpo sonhar,
geralmente,
com quem não deveria.

Álcool,
atende a insensatez,
provoca o amor confinado,
inflama o reprimido,
afoga o desprezado.

Álcool,
povoa o coração irresponsável,
perdoa quem não resiste,
quem se desmancha ao chamado.

Álcool,
quem mais é capaz de derrubar na cama,
de transbordar em desejos
e por em dúvida
o amor que se ama?


Mari Marinaro

04 maio, 2009

Declaração



Ao meu amor, uma flor!




O gesto que Basta



Aqui explica-se: as palavras também transmitem silêncios. O texto a seguir é lindo!

O gesto que basta



E a moça que ia triste, passando as mãos nas lágrimas que corriam no rosto, com o coração cheio de saudade, abriu um lindo sorriso.

Por causa do menino, que sem saber o que acontecia, esperou por sua passagem, e lhe fez um gesto, prestando-lhe reverência.

O ar, preso na angústia da ausência injustificada, saiu em um sorriso.

E eu, acompanhando a moça, fui mais uma vez presenteada pelas maravilhas do coração humano.
Nos entreolhamos e sorrimos mais uma vez. Não havia mais nada a ser dito.


Lara

03 maio, 2009

A tolice pela generosidade


A tolice pela generosidade


O texto abaixo foi escrito por uma mulher rica e que até certo momento de sua vida não conheceu o sofrimento da escassez ou do desamor. Porém, quando amadureceu, fez uma escolha que definiu como sendo a troca da "tolice pela generosidade".
Antes de morrer e viúva, saía a tarde. Dizia para a família que se dirigia a um centro de terceira idade para divertir-se. No entanto, essas tardes eram ocupadas por um trabalho voluntário em um asilo para idosos, alguns mais jovens que ela, mas com menos saúde e mais tristeza.


"Eu me doo porque me perdoo. Quando era jovem e tola, eu queria tudo para mim, achava que o mundo era meu e que eu podia usufruir dele sem pedir nem agradecer. Agora, que sou muito mais velha e um pouco mais sábia, entendi que nada me pertence de verdade, nem a vida, que passa em um instante, nem meus filhos, que apenas vieram através de mim, e muito menos as coisas, que são apenas matéria, e continuarão sendo, mesmo quando eu deixar de ser. Depois de uma vida dedicada às tolices, decidi perdoar-me por ser tola e dar-me a chance de ser generosa, assim eu terei a única coisa que pode me pertencer: minha própria paz"

(Autora desconhecida)